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O que esperar do Zelda U? - Parte 3: "a demo que a E3 merece"


Epa, pera lá! Antes de continuar o artigo, certifique-se que você viu as outras duas partes para ficar por dentro da discussão (clique nos links a seguir para ir aos respectivos artigos):


 

Todo jogo de Zelda conseguiu seu fundo de revolução. Por mais que ele tenha sido taxado como “sem a essência de Zelda”, ele teve sua importância. Claro, vai do gosto da clientela e quem sou eu para dizer aqui qual é a melhor experiência da série. Na verdade, é um exagero dizer que um pode ser melhor que o outro. “Ah, mas isso é minha opinião”, alguém provavelmente dirá. E, por fim, eu respondo: é por isso mesmo!

O pior do melhor de todos os tempos

As pessoas adoram ter apreço às coisas. Ter algo que nos atrai e que realmente temos ligação é saudável. Alguns mais audaciosos até se auto apelidam, como é o caso dos Potterheads (Harry Potter), ou os ‘istas’ – Nintendistas (Nintendo), Sonystas (Sony) e Caixistas (Xbox). Essa forma de elo com os suas séries, ou empresa, seria um jeito de homenageá-las, e deixar registrado para si seu carinho por elas. Mas alguns fãs extremistas – chamados de fanboys – têm um certo problema em lidar com os mais diversos conteúdos. Isso porque eles acreditam fielmente no que eles mesmo dizem, e mais nada! Seria uma forma de tampar seus olhos ao mundo e olhar para aquilo que lhes interessa, única e exclusivamente. “Mas, o que isso tem haver com Zelda U?”, você deve estar se perguntando. Isso é simples: em Zelda, não temos os extremistas? Alguns acreditam que seu jogo favorito é o único bom jogo de todos, e remetem ao argumento de gosto. Muitos acreditam piamente que The Legend of Zelda: Ocarina of Time sempre será o melhor de todos os tempos, ou que nenhum outro Zelda “chega a seus pés”. Isso afeta e tem afetado muito a série, de maneiras que você não sabe como.

Depois do lançamento de Ocarina of Time, tudo o que se falava era como ele é bom. Os fãs do Nintendo 64 se vangloriavam em pleno ano de 1998 por terem o melhor jogo com eles, e isso popularizou tanto a série, quanto a Nintendo. Depois que o “soberano” foi lançado, só se fala uma coisa a cada novo lançamento de um Zelda: ele será melhor que Ocarina of Time? Essa espécie de selo de qualidade se tornou justificativa para ter desgosto por um título. Isso foi um dos motivos de gozação para Majora’s Mask, por ser muito diferente do melhor de todos os tempos, até os dias de hoje. Isso mudou quando um grupo resolveu pedir para a Nintendo fazer um remake do jogo em 3D para o portátil Nintendo 3DS. Com o tempo, o projeto se tornou famoso e fez muitos dos fãs embarcarem no hype e aceitarem dar uma chance. The Wind Waker também sofreu esse mal, mesmo que seu motivo tenha sido diferente. O motivo mais recente é Skyward Sword: fizeram chacota pelo seu estilo, que tendia a unir o melhor dos dois mundos, por trazer o melhor enredo da série e por dar a verdadeira experiência com o Wii MotionPlus. Até Miyamoto disse que Skyward Sword poderia superar Ocarina of Time. Mas o que o afetou, se até o mestre acreditava no potencial do jogo?

A teimosia dos fãs, lógico. “Tirar Ocarina of Time do posto? Nunca!”. Para alguns camaradas, a experiência que eles viveram nunca mais voltará, mas isso acontece porque eles não se abrem para isso. Eles não querem deixar de lado essa sensação, ou simplesmente não querem criar outra. Para os fanboys, é essa e pronto! Eles pensam unicamente em como idolatrar Ocarina of Time, e não como tentar ter mais “melhores de todos os tempos” durante os anos. Não estou dizendo que ele é ou não o melhor (minha opinião não vem ao caso). O que espero, um dia, é acordar, olhar para o meu monitor e ver que a base de fãs não ficou ridicularizando um título Zelda por “não ser melhor que tal”, só porque ela esperava mais ou porque não quer tirar de jeito maneira Ocarina of Time do posto. Pois, em muitos casos, esse é o motivo.

Um grande perigo para um grande jogo

Vendo como isso pode afetar a série, é fácil perceber o perigo que a Nintendo pode tomar com um tropeço na terça-feira, dia 10. O Wii U não vai muito bem e, nesta E3, ela pode virar o jogo com um simples vídeo, assim como foi em 2004. A única coisa que poderia trazer o console para a competitividade novamente é com um anúncio bombástico, tanto quanto foi Twilight Princess para o GameCube. Não, necessariamente, necessite ser Zelda, mas é o que a maioria está se perguntando: qual será o próximo Zelda? Dessa forma, Aonuma precisa criar algo que chame a atenção do público a ponto que a base de fãs deixe a velha comparação de se “é melhor do que Ocarina of Time” para “quando ele será lançado”. Ele já disse que só descansará quando criar um Zelda melhor do que Ocarina, e esse deve ser o momento. Ele deve criar um título que influencie a massa e quebre de uma vez por todas o amaldiçoado ciclo da série. Ele tem que trazer o inesperado, e fazer isso acontecer.

Zelda não é o título mais importante para aquela apresentação – já que um jogo não muda um console quando sozinho. Mas um título pode influenciar um console a curto prazo – e Mario Kart 8 provou isso –, seja positivamente, ou negativamente. Então, esta é a melhor hora de usar tudo o que ele aprendeu com o mestre e fazer com que Zelda se torne uma influência positiva para o boca-a-boca pela internet. Ele tem que trazer de volta a orquestra, os estilos de arte, as dungeons, a dificuldade, o balanceamento, os sidekicks, a história, tudo! É muita pressão, mas pense: se não for considerado "melhor" do que Ocarina of Time, muitos o ridicularizarão e ele acabará tendo uma “fama curta” como os outros títulos, fama essa de não ter atentido as expectativas de simples base de fãs , e, consequentemente, não irá alterar o estado do Wii U. Contudo, se ele gerar um hype tanto por essa base, quanto pela indústria como um todo, ele pode fazer com que o console melhore tanto de desempenho, quanto de imagem, e as vendas sejam maiores. É uma faca de dois gumes, e por isso é uma apresentação de risco. Não dá para, simplesmente, pensar que “é mais um Zelda”, a Nintendo tem que se esforçar em não passar a mesma impressão que o GameCube gerou em 2002. Já se perguntaram porque o Wii não teve uma demonstração técnica? Isso é até meio óbvio, mas porque Twilight Princess era a melhor forma de demonstrar o potencial dele. O console tinha um foco maior no público casual, então qual jogo melhor para demonstrar seu poder do que um jogo que trouxe o maior momentum que a empresa poderia presenciar? Então chocar a imprensa, em uma época em que uma simples contagem de vendas semanais se torna guerra entre alguns fanáticos pois isso é de importância de cada empresa e acionista, principalmente quando seu console de mesa está com vendas insatisfatórias, é uma decisão arriscada. Então, o lado mais audacioso da Nintendo deve vir da forma mais “elogiadora” aos fãs. Deve se renovar, sem tirar aquilo que os fãs querem. Teria que vir com uma pitada de saudosismo (vulgo Twilight Princess). Mas a questão fica: qual tipo de fã ela irá escutar? O que quer algo novo como foi The Wind Waker, ou a insatisfeita base que prefere algo como realismo?

A certeza da contínua qualidade da série

Depois de todos estes anos, a indústria continua a olhar para Zelda como uma fonte inspiradora. Então, decepcionar essa longínqua base depois de criar um invejável histórico impecável de acertos, mesmo com alguns pequenos tropeços, está totalmente fora de cogitação. É até um revés para a série: este pode ser o primeiro fracasso total de Zelda? Mesmo The Minish Cap vendendo quase 2 milhões de cópias e sendo o menos vendido, a culpa não foi da sua qualidade e, sim, ser abafado pelo novo retorno de Zelda ao realismo. Talvez a pequena aventura de bolso de Link e Ezlo precisaram ser afetadas para mostrar outros rumos a série. Afinal, o último grande título para consoles de mesa foi em estilo cartunesco (ou uma recriação entre o estilo de A Link to the Past misturado com The Wind Waker, se for considerar Four Sword Adventures), muito coloridinho e inocente para os padrões daquela época. Mas isso tira o fato de, tanto The Wind Waker quanto The Minish Cap, serem ótimos títulos? Não é porque um não chegou as míseras 2 milhões de cópias (para os padrões da série) que o torna ruim. Apenas seu lançamento foi abafado pelo grande que ainda poucos conheciam.

Por isso, pensar que isso é a próxima geração da lenda, ou saber que pode ser o novo "mudador de parâmetros", um novo Ocarina of Time, ou que estamos diante do que pode ser o maior Zelda já lançado, é um dos maiores sentimentos ferventes, um misto entre o ceticismo e a esperança com que um fã vai receber em um evento deste porte. Isso é notável em quase todo o aspecto da série. Há uma diferença entre The Legend of Zelda e The Adventure of Link? E para A Link to the Past? E até mesmo para Link's Awakening? Cada um trouxe um estilo único e aumentou a série para que se tornasse, em sua época, a maior Hyrule, ou o maior mundo possível, até mesmo uma reinvenção de si próprio só para contar a velha história da princesa de mesmo nome. Então, diferentemente para outras franquias, a E3 é o momento chave para Zelda: é o palco para mostrar seu brilho aos fãs e satisfazê-los. É o maior momento até o seu lançamento: o seu anúncio. Poder sentir na pele com outros amantes que aquilo é o novo, que nos chocaremos, e novamente a equipe de Aonuma nos dará uma tapa na cara mostrando o que é um verdadeiro Zelda, é um momento sem igual. É um momento para poucos, já que, diferente de outras franquias, de quanto em quanto tempo sai um título principal para consoles de mesa? Uma espera de cinco anos? Não estou querendo desmerecer os portáteis, mas é óbvio que os títulos para consoles de mesa acabam sendo maiores, e é isso que chama a atenção. É esse pequeno detalhe que atormenta uma geração inteira: o que virá?

Então, pois bem, o que virá?

Olhando cada momento, cada reação, cada passo certo ou errado que a Nintendo fez durante todos esses anos, é notavelmente complicado prever. A empresa sempre tende a renovar, e com Iwata atualmente no comando, isso vai continuar mesmo nos momentos difíceis. Aonuma também está fazendo um excelente trabalho, conseguindo agradar o público com diferentes estilos e gostos. E, com o Wii U, não será diferente. A EAD (departamento da empresa que cria os jogos) nunca falhou com Zelda; é uma tradição em termos de qualidade da série, por isso é ridícula essa guerra de “é ou não melhor que Ocarina of Time”. É saudável discutir, mas afetar um jogo negativamente só por não atender suas expectativas em primeiro momento é, no mínimo, infantil.

Sabemos que ele será ótimo, mas como será seu estilo gráfico? Terá o ápice do cel-shading? Ou o realismo fantástico de Twilight Princess? Apresentará uma reforma no impressionismo de Skyward Sword? Sim, e muito mais. Ultimamente, a Nintendo tem seguido um padrão com os estilos de arte: The Wind Waker, obviamente, teve inspiração em Ocarina of Time. Twilight Princess foi também influenciado por The Wind Waker. Em Skyward Sword, vemos a junção dos dois últimos principais trabalhos de Aonuma, misturando o cartoon com o "realismo". O atual responsável por Zelda já confirmou ser um estilo totalmente novo, então seria o mais óbvio tentar uma mescla entre as três artes. O impressionismo seria usado para o fundo e mundos abertos, enquanto o realismo seria para os personagens e as tonalidades escuras das dungeons, enquanto o cel-shading é utilizado para o sombreamento dos personagens como em Twilight Princess. Isso é fato? Nem de longe, mas é previsível esse caminho a ser seguido por Aonuma, pois fará com que atenda as três bases de Zelda.

É um caminho perigoso, arriscado, e um passo em falso fará com que o anúncio se torne apenas mais um. Por favor, entenda que isso é um segredo para todos, e tenha seu corpo preparado pois é perigoso ver isto sozinho. Leve este seu hype e guarde em um calabouço, e espere para abri-lo amanhã. Enquanto isso, conte-nos: o que você espera para Zelda U?

Praticante do deboísmo através de stickers do Silvio Santos no Telegram.

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