GameSpot - Perguntas e Respostas: Vice-Presidente da Nintendo, Reggie Fils-Aime
Nós conversamos com Reggie Fils-Aime, vice-presidente executivo de marketing e vendas da Nintendo, sobre o presente e o futuro da empresa.
SÃO FRANCISCO -- Após a palestra do presidente da Nintendo, Sr. Satoru Iwata, tivemos a oportunidade de sentarmos com o vice-presidente executivo de marketing e vendas, Reggie Fils-Aime, para falar sobre a palestra, a E3 e o futuro da Nintendo.
GameSpot: A Nintendo afirmou que o Revolution terá a tecnologia Wi-Fi nativa de fábrica. Isso significa que o console será capaz de também se conectar à internet?
Reggie Fils-Aime: O Revolution, assim como o Nintendo DS, será capaz de se conectar a Internet quando lançarmos o software apropriado e finalizarmos o nosso sistema. Então você poderá jogar com seu vizinho do outro lado da rua, com seu amigo do outro lado do país ou com aquele seu novo amigo que mora do outro lado do mundo. Quando falamos de Wi-Fi nativo, estamos realmente falando de jogos em rede sem fio através da Internet para ambos os sistemas. Estamos comprometidos em fazer isso acontecer no DS até o final do ano.
GS: Esta abordagem positiva da Internet é uma visível mudança de direção na postura anterior da Nintendo em relação ao assunto, que era bem diferente. O que levou a essa mudança?
RF: Bom, eu não estava na companhia quando algumas dessas decisões foram tomadas e, portanto, não posso falar muito sobre o passado. O que eu posso dizer é que a Nintendo sempre acreditou na criação de uma comunidade, um grupo de fãs que joguem os nossos sistemas. Penso que ficou claro que agora temos formas de fornecer uma infra-estrutura, um backbone, de um jeito que faça sentido, que seja economicamente viável para nós e tudo isso sendo capaz de providenciar essa infra-estrutura gratuitamente para os jogadores. Agora que tomamos a decisão, vamos centrar todos os nossos esforços para fazer com que aconteça.
GS: Quando veremos jogos on-line no Nintendo DS?
RF: Tínhamos falado do quarto trimestre, em termos de quando os jogos que realmente tiram vantagem da conectividade sem fio pela Internet, iriam aparecer. Metroid Prime Hunters terá a opção de jogo em rede de área local (LAN), assim, oito pessoas jogarão com Samus caçando uns aos outros. É por aí que estamos indo, jogos via Internet usando rede sem fio no quarto trimestre.
GS: O que você diria para aqueles que possuem o GBA e sentem que ele está sendo negligenciado em prol do DS?
RF: Anunciamos que "WarioWare: Twisted!", que tem um sistema gyro único, foi adiado por algumas razões técnicas, mas estará chegando próximo da E3. Também temos Pokémon Emerald que será lançado aqui na América do Norte em primeiro de maio. Então, também temos um bom número de excelentes jogos chegando no terceiro e quarto trimestres. Uma das coisas que me excita no Game Boy Advance são, francamente, os grandes jogos produzidos por outras empresas que estão por vir. "Revenge of Sith" sairá para GBA e também para DS. Há um bom número de jogos realmente excelentes que nossos licenciados estão trazendo para o mercado. Acredito que esses jogos precisam ser conferidos por nossos fãs.
GS: Você acha que os desenvolvedores "aceitaram" o DS?
RF: Um dos principais motivos de estarmos aqui na GDC e de o Sr. Iwata ter discursado é o de ajudar a comunidade de desenvolvedores a realmente aceitar o Nintendo DS. Nós exibimos Nintendogs, que usa comandos de voz para controlar seus bichinhos virtuais, e isso surpreendeu a multidão. Também exibimos um "jogo" realmente único chamado Electroplankton, que também surpreendeu a todos. Não tenho certeza se Electroplankton será lançado nesse país como um jogo, mas posso imaginá-lo como um jogo musical controlável por voz e toque de tela, de hip-hop ou rap, que utilize essa mesma tecnologia e vá além disso, levando o Nintendo DS à vanguarda, em termos de o quê essa tecnologia é capaz de fazer. Então, creio que parte do nosso trabalho é ensinar a comunidade de desenvolvedores o que a nossa plataforma pode fazer. A meu ver, nós apenas vimos pouco do que o DS pode fazer. Possivelmente, assim como a comunidade mundial de desenvolvedores, só exploramos 30% do que o Nintendo DS pode fazer. Enquanto jogos como Nintendogs e Electroplankton são lançados, penso que veremos mais e mais. Esta plataforma é realmente potente e nós estamos planejando trazer alguns produtos fantásticos que irão tirar proveito do Nintendo DS de verdade.
GS: Já tinham pensado na possibilidade de lançar o Play-yan nos EUA?
RF: O Play-yan é uma idéia muito boa. O que estamos tentando fazer é ver como o tornaremos um produto interessante para os nossos consumidores. O que quero dizer com isso é que, ter o Play-yan, ter um cartão SD, ter talvez uma ou duas músicas gratuitas para download, tudo isso incluído em um só pacote é realmente o que estamos tentando criar, porque achamos que é o certo a se fazer para o mercado americano. Mais coisas estão por vir na E3 a esse respeito.
GS: Qual o seu pensamento sobra a visão da Microsoft em relação ao futuro dos consoles?
RF: Acredito que as duas palestras foram diferentes na filosofia e no objetivo de mercado entre nós e, nesse caso, o Xbox. J. fez uma apresentação maravilhosa, mas que foi focada do ponto de vista onde tudo é poder, seja de processamento, seja gráfico -- é esse o caminho que eles estão seguindo. A apresentação do Sr. Iwata, sinceramente, foi toda a respeito da emoção, da experiência de jogo e de como trazer isso para a vida de um jeito inovador e provocativo que realmente leva o consumidor a divertir-se mais com a experiência. Agora, nossa plataforma será realmente poderosa. ATI e IBM são parceiras fantásticos, que fazem produtos incríveis e certamente o Revolution será mais poderoso que todas as plataformas atuais. Mas essa é apenas uma parte da história. É realmente o que o Sr. Iwata falou sobre priorização em quatro aspectos. Priorizar a inovação, a interface, a natureza intuitiva da plataforma e torná-la chamativa, fazendo-a interessante não somente para o núcleo dos jogadores, mas também para os jogadores casuais.
GS: O que podemos esperar da Nintendo na E3?
RF: Certamente iremos liberar mais informações sobre o Revolution na E3. Dito isso, o Revolution não terá uma grande presença no estande em si. Falaremos sobre ele na nossa conferência de imprensa... falarei sobre ele aos nossos varejistas e talvez mostremos alguma coisa na sala dos fundos. Mas, no andar da demonstração, falaremos muito sobre o Game Boy Advance, mostrando os ótimos produtos que temos para esta plataforma. Teremos o DS e seus novos jogos que estaremos lançando no período das férias em agosto e mostraremos os grandes produtos para GameCube, especialmente o jogo The Legend of Zelda.
GS: O novo vídeo obviamente deixou os fãs ansiosos para o novo Zelda. O que eles devem esperar do jogo?
RF: Estamos visando o último trimestre do ano. Certamente, continuaremos a manter os fãs animados quanto ao jogo. Temos muito mais coisas para mostrar. Ele estará disponível para ser jogado na E3 e é um jogo fantástico. Tive a oportunidade de jogá-lo um pouco e é fenomenal. É profundo, é rico... tem todos aqueles elementos que você adora em um jogo Zelda e, graficamente, é muito bonito. Então, do ponto de vista de um fã da Nintendo, fique ligado. Muitas informações serão liberadas agora e na E3 e este jogo provavelmente terá a maior presença, da nossa perspectiva, no nosso salão de demonstração.
GS: Qual é impressão que você quer que as pessoas tenham quando saírem do seu estande na E3?
RF: Queremos que elas saiam pensando "nossa, Zelda será um grande sucesso e eu quero esse jogo agora. Vou agora mesmo até a loja mais próxima para comprar antecipadamente a edição super premium do jogo" que nós disponibilizaremos. Queremos que os fãs andem por aí dizendo, "nossa, olha todos esses produtos bacanas para GBA e eu vou ser um "consumidor de portáteis duplos", tendo tanto o antigo GBA quanto o novíssimo DS. Eu quero o consumidor andando por aí sem conseguir largar todos os grandes produtos que estão saindo para o DS, especialmente "Mario Kart", "Metroid Prime Hunters" e "Animal Crossing". Então, resumindo, eu quero nossos fãs andando por aí dizendo: "sim, eu preciso ter as três plataformas: SP, DS e NGC.".
GS: Qual foi a intenção de vocês em fazer o Revolution com compatibilidade aos jogos do último console?
RF: Creio que facilita a tarefa de deixar os consumidores ansiosos com o novo Zelda. Agora eles podem ir comprar aquele Zelda sem temer por não conseguir jogá-lo por muito tempo. Foi uma decisão muito estratégica de liberar as informações sobre essa compatibilidade. Retrocompatibilidade foi uma grande, ótima escolha estratégica. Assim como foi a retrocompatibilidade entre o DS e o GBA. Então, isso foi uma coisa muito importante para nós, especialmente para conceituar o novo console que estamos criando. Como ter certeza de que os novos jogos passarão todas as experiências que você quer ter assim como manter essa compatibilidade com os antigos? Não é tão simples quanto parece.
GS: Como você acha que o mercado dos portáteis irá mudar nos próximos anos?
RF: No mês de dezembro, os portáteis representavam um quarto (25%) do total de dólares em hardwares e softwares no mercado americano. Creio que essa porcentagem continuará a crescer. Isso significa que os consumidores estarão investido mais e mais no mercado dos portáteis. Acho que haverá um impacto que fará com que algumas das atuais plataformas tenham uma vida mais longa e isso começará a se tornar uma característica que é parecida com a dos consoles. Mas não me interprete mal. Continuaremos a trazer inovações para esse mercado. Além de lançar versões em novas cores e outras coisas que fazemos, estaremos constantemente inovando no mercado dos portáteis.
GS: Com o lançamento do PSP chegando, foi dado um passo definitivo que o posiciona como rival das plataformas portáteis da Nintendo. Como você vê o PSP e o DS?
RF: Por um lado, tudo o que nós fazemos é competir pelo mesmo dinheiro na indústria, certo? O jogador tem dinheiro para gastar em apenas uma combinação de sistemas de hardware e software, então desse ponto de vista nós certamente competimos. Com base nisso, uma plataforma de 250$ com softwares de 50$, sim -- é um proposta muito cara. Contra um DS por 150$, um SP por 79$ -- achamos que nossas plataformas são muito mais acessíveis. Achamos que nossos softwares são muito mais inovadores e por isso nos vemos atuando em um mercado um pouco diferente do que o PSP está tentando entrar.
GS: Onde você vê a Nintendo daqui há 10 anos?
RF: Espero que a Nintendo esteja de posse de um grande mercado de ações e um grande mercado consumidor nos EUA. Que tenhamos lançado com sucesso uma série de plataformas, hardwares para a casa e também portáteis, e que continuemos a ser inovadores neste mercado. Essa é a minha visão pessoal para a Nintendo e certamente, tendo falado com o Sr. Iwata, eu sei que essa é também a visão dele.
GS: Obrigado pelo seu tempo.
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